Durante o Período Cretáceo, a Terra passou por uma das transformações geológicas mais drásticas de sua história, funcionando como um verdadeiro quebra-cabeça em movimento. O antigo supercontinente Pangeia, que já vinha se fragmentando, atingiu um ponto de ruptura definitivo, redesenhando as linhas de costa e alterando o curso da evolução… O que realmente aconteceu foi que a ascensão dos oceanos e a separação das massas de terra criaram barreiras intransponíveis, forçando a fauna a seguir caminhos evolutivos distintos em cada canto do globo. Imagine o cenário: populações de dinossauros que outrora eram parentes próximos foram separadas por milhares de quilômetros de água salgada, tornando-se estranhos uns aos outros ao longo de milhões de anos.

O Nascimento do Atlântico Sul e o Isolamento de Gondwana

Primeiramente, o evento geológico mais impactante do Cretáceo foi a separação final entre a América do Sul e a África. Esse processo não apenas deu origem ao Oceano Atlântico Sul, mas também isolou o grande bloco sulista, o Gondwana.

Devido a esse afastamento, o clima global tornou-se mais úmido e as correntes oceânicas foram redirecionadas. Consequentemente, as espécies que ficaram na América do Sul, como os gigantescos titanossauros e os abelissaurídeos (como o Carnotaurus), evoluíram de forma completamente diferente dos seus parentes do norte. Além disso, o nível do mar subiu drasticamente, chegando a cobrir um terço das terras emersas atuais, o que criou mares interiores vastos que dividiram até mesmo continentes como a América do Norte em duas ilhas gigantes: Laramídia e Apalaches.

A Explosão da Biodiversidade por Especiação

Por outro lado, esse isolamento geográfico funcionou como um motor para a biodiversidade. De maneira idêntica ao que acontece hoje em ilhas remotas, cada fragmento continental tornou-se um laboratório evolutivo único.

No hemisfério norte, a Laurásia fragmentou-se para formar a América do Norte, a Europa e a Ásia. Assim sendo, enquanto os tiranossauros se tornavam os predadores dominantes no norte, no sul eram os carcharodontossauros que mantinham o trono. Portanto, a configuração dos continentes no Cretáceo foi a responsável direta pela enorme variedade de formas e tamanhos de dinossauros que conhecemos hoje. Sem essa fragmentação, a fauna do final da Era Mesozoica seria muito mais homogênea e menos diversa.

Descobertas e Avanços em 2025-2026

De acordo com estudos tectônicos e paleoclimáticos realizados entre 2025 e o início de 2026, novas evidências sugerem que pontes terrestres temporárias surgiam e desapareciam devido a variações no nível do mar.

Em virtude dessas descobertas, agora entendemos como certas linhagens de dinossauros conseguiram migrar entre a Ásia e a América do Norte através de Beringia muito antes do que se imaginava. Ademais, pesquisas em sedimentos marinhos profundos concluídas em 2026 confirmaram que o vulcanismo intenso associado à abertura do Atlântico alterou a química dos oceanos, afetando não apenas a vida terrestre, mas causando grandes extinções e renovações na fauna marinha, como o surgimento dos mosassauros.

Reconstituição paleogeográfica do planeta Terra durante o Período Cretáceo, destacando a separação da América do Sul e África e os mares interiores. Gerada por IA

O Eco dos Mundos que se Afastavam

Contam que, nas praias recém-formadas do que viria a ser o litoral brasileiro, era possível observar o horizonte e ver, a cada milênio, a costa da África tornar-se um borrão cada vez mais distante. Imagine o cenário: manadas de saurópodes caminhando por línguas de terra que, em poucas gerações, seriam engolidas por um oceano azul profundo e intransponível.

Diz-se que a geografia é o destino de todas as espécies. A lição que fica, ao estudarmos a deriva continental do Cretáceo, é sobre a inevitabilidade da mudança. A fragilidade das conexões terrestres mostra que nada no nosso planeta é estático. No final, a separação dos continentes foi o que permitiu que a vida florescesse em uma explosão de criatividade evolutiva. A moral da história é que o isolamento, embora pareça uma barreira, é muitas vezes o berço necessário para o nascimento de algo completamente novo e extraordinário.


E você, já tinha parado para pensar que o formato dos continentes que vemos hoje no mapa-múndi foi “desenhado” pelos dinossauros do Cretáceo? Conte nos comentários o que você achou dessa transformação!

Fique ligado para mais sobre a Era Mesozoica!

“Veja também: Por que o Triceratops e o Velociraptor viveram juntos no Cretáceo e como eram suas interações?”

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