O cenário que restou após a extinção Permo-Triássica — o maior evento de morte em massa da história do planeta — parecia saído de um pesadelo geológico. A Terra era um lugar de extremos, onde a vida tentava desesperadamente se agarrar a qualquer fresta de viabilidade… O que realmente aconteceu foi que o clima se tornou um desafio constante, moldando uma vegetação resiliente e muitas vezes bizarra. Imagine um mundo sem calotas polares, onde o calor era o único mestre e as plantas precisavam ser verdadeiras fortalezas biológicas.
Um Planeta Sob um Forno: O Clima do Triássico
No início do Triássico, o clima era globalmente muito mais quente e seco do que é hoje. Como todos os continentes estavam unidos na Pangeia, o oceano não conseguia regular a temperatura do interior dessa massa de terra gigantesca. Isso resultou no que os cientistas chamam de clima continental extremo.
Os verões no interior da Pangeia eram insuportáveis, com temperaturas que facilmente ultrapassavam os 50°C. Não havia gelo nos polos; em vez disso, as regiões polares tinham climas temperados e úmidos, servindo como refúgio para as espécies que não suportavam o deserto central. Estudos recentes em 2025 mostraram que as megamonções — chuvas sazonais violentíssimas — eram a única fonte de água para grandes extensões de terra, criando um ciclo de seca extrema seguido de inundações devastadoras.
A Vegetação: Sobreviventes de um Mundo Árido
A flora do Triássico não era composta por flores ou gramas (que ainda não existiam), mas sim por plantas que pareciam esculturas de resistência. Após a extinção, as florestas de carvão do Permiano desapareceram, dando lugar a novos tipos de domínio vegetal.
- Cicas e Cicadáceas: Com suas folhas duras e troncos robustos, elas dominavam as planícies. Pareciam palmeiras baixas e eram a principal dieta dos herbívoros da época.
- Coníferas: Ancestrais dos nossos pinheiros, essas árvores formavam florestas densas nas regiões mais úmidas e eram capazes de suportar longos períodos de estiagem.
- Ginkgos e Samambaias de Semente: Estas plantas preenchiam o sub-bosque, criando uma paisagem de tons verdes escuros e marrons, contrastando com o solo avermelhado.
Avanços paleontológicos em 2026, analisando pólen fossilizado em sedimentos da Antártida (que no Triássico estava em uma posição mais quente), revelaram que a recuperação da vegetação foi muito mais lenta do que se pensava, levando milhões de anos para que as florestas voltassem a ser complexas.
O Episódio Pluvial Carniano: A Grande Mudança
No meio do Triássico, algo estranho aconteceu. O que era um deserto global tornou-se, por um breve período geológico, um mundo encharcado. Esse evento, conhecido como o Episódio Pluvial Carniano, trouxe chuvas intensas que duraram cerca de 2 milhões de anos. Foi essa mudança drástica na vegetação, com o surgimento de plantas mais nutritivas, que permitiu que os dinossauros finalmente crescessem em tamanho e diversidade.

O Eco do Silêncio Verde
Contam que, se você pudesse caminhar pelas margens de um rio no Triássico Médio, o cheiro não seria de flores, mas de resina de pinheiro e terra úmida. Imagine o cenário: uma vasta planície de cicadáceas sob um céu carregado de poeira amarelada, onde o único movimento era o balanço das frondes gigantes sob o vento quente.
Diz-se que as plantas daquela era eram as verdadeiras guardiãs da vida. Elas suportaram o fogo dos vulcões e a sede dos desertos para que o solo não fosse levado pelo vento. A lição que a vegetação triássica nos deixa é a do poder da persistência; mesmo quando o mundo parece um forno estéril, a vida encontra uma maneira de criar raízes e esperar pela próxima chuva. A fragilidade da vida vegetal foi, ironicamente, o que deu sustentação para o nascimento da Era dos Dinossauros.
E você, conseguiria imaginar um mundo sem flores e sem gelo nos polos? O que mais te impressiona no clima extremo da Pangeia? Conte nos comentários!
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